Justiça Autoriza Exumação de Josi Dias para Investigar Morte Suspeita Após Atendimento em UPA de Marília
A Justiça de Marília, por meio da decisão do juiz Paulo Gustavo Ferrari, da 2ª Vara Criminal, autorizou a exumação do corpo de Josiane Gomes Pelegrin Dias, a Josi Dias, para investigar as circunstâncias de sua morte, ocorrida em 9 de janeiro de 2025. A medida atende a um pedido feito pelo advogado Lucas Ricci Dantas, representando dona Rosa, mãe de Josi, que busca esclarecer eventuais falhas no atendimento médico recebido pela filha durante o período de internação.
A morte de Josi, ativista de causas inclusivas e mãe atípica, gerou grande comoção e levantou questionamentos sobre a qualidade do atendimento médico prestado a ela. Segundo o atestado de óbito, a causa apontada foi insuficiência respiratória por broncoaspiração de vômito, agravada pela obesidade. No entanto, sua mãe acredita que a verdadeira causa de morte tenha sido ignorada durante o atendimento médico, suspeitando que Josi tenha sofrido um infarto, condição que teria sido desconsiderada pelos profissionais da UPA Norte, em Marília, onde ela foi atendida.
Alegações de Negligência e Falhas no Atendimento
De acordo com familiares e amigos próximos, Josi procurou atendimento médico com sintomas graves, como dores intensas que irradiavam para as costas, e que poderiam indicar um problema cardíaco. Apesar disso, ela foi atendida na UPA Norte, onde, segundo relatos, foi liberada sem que houvesse uma avaliação mais aprofundada de sua condição clínica. O pedido de transferência para um hospital com melhores condições, como a Santa Casa de Marília, foi negado.
Em vídeos gravados por Josi durante sua internação, a vítima relatou diversas dificuldades enfrentadas na UPA, como a falta de cuidados adequados com sua higiene e o ambiente insalubre do leito, com macas sujas e falta de lençóis. Ela também mencionou não ter recebido a assistência necessária para se locomover ao banheiro, o que culminou em desconforto e sofrimento durante o período de internação.
“Como é possível que ela tenha sido liberada tão rapidamente, se estava pedindo por ajuda e já mostrava sinais de complicações?”, questionou a prima de Josi, visivelmente abalada. A família também denuncia a falta de acompanhamento adequado, como a ausência de observação da condição de saúde da paciente.
Luto e Clamor por Justiça
A trágica morte de Josi, aos 41 anos, gerou um clamor por respostas da Secretaria de Saúde de Marília e da UPA Zona Norte, onde a paciente foi atendida. A mãe de Josi, dona Rosa, e os filhos da ativista agora enfrentam o luto e buscam entender o que realmente aconteceu. A decisão judicial que autoriza a exumação do corpo de Josi oferece uma nova esperança à família, que aguarda por mais informações e respostas sobre as causas de sua morte.
A investigação da morte de Josi é de extrema importância para que a comunidade de Marília entenda o que de fato ocorreu durante o atendimento e para que medidas sejam tomadas a fim de evitar que outras pessoas sofram negligência em situações semelhantes. A luta por respostas também reflete a dor de perder uma mulher que foi símbolo de força e luta em defesa da inclusão social e dos direitos das mães atípicas e de crianças com autismo.
Reações da Família e amigos
A mãe de Josi, dona Rosa, fez um apelo emocionado para que a população ajude a esclarecer a verdade sobre a morte da filha. "Eu quero entender o que aconteceu. Se houver algo mais, preciso saber para que outras pessoas não sofram o que minha filha sofreu", afirmou, em vídeo divulgado nas redes sociais.
Amigos e familiares também expressaram indignação com o ocorrido, questionando as condições de atendimento na UPA Norte. Além disso, a família está recebendo apoio da comunidade, que se mobiliza para exigir justiça.
Resposta da UPA Zona Norte
Em nota enviada para o Portal Marília Alerta, a direção da UPA Zona Norte, através da Assessoria de Imprensa da Unimar, lamentou profundamente o falecimento de Josi e expressou condolências à família e aos amigos. A nota destacou que durante a internação, a paciente recebeu os cuidados médicos necessários e que, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), não seria possível divulgar informações sobre o atendimento de Josi.
A decisão de exumar o corpo de Josi representa um importante passo na busca por justiça, enquanto a família, ainda em luto, busca respostas que possam trazer mais clareza sobre as causas da morte de uma mulher tão querida e dedicada à luta por inclusão e melhores condições para pessoas com necessidades especiais.
Aperfeiçoamento no Atendimento Médico e Conscientização
Este caso também ressalta a importância de um atendimento médico mais cuidadoso e humanizado, especialmente em situações envolvendo pessoas vulneráveis. Josi, que tanto lutou pela inclusão e pelos direitos das mães atípicas, agora se torna um símbolo da necessidade de melhorias nos serviços de saúde e na forma como os pacientes, especialmente os mais vulneráveis, são tratados.
A expectativa da família é que a investigação contribua para a criação de um sistema de saúde mais responsável e que falhas como essas não se repitam no futuro. Enquanto isso, Josi, a mãe dedicada e ativista, continua a inspirar aqueles que a conheciam a lutar por justiça e pelos direitos de todos.